domingo, 28 de dezembro de 2008

Clarisse na estréia do monólogo "Aquela Mulher"


Pessoal, pesquisando um pouco descobri essa foto na estréia do monólogo "Aquela Mulher" com a atriz Marília Gabriela, monólogo em que a Clarisse é Assistente de direção e preparação corporal.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Aquela Mulher: Antônio Fagundes dirige Marília Gabriela em monólogo. Estréia dia 18.

Marília Gabriela volta aos palcos de São Paulo

Uma avalanche de idéias e possibilidades povoa os pensamentos de quem está na expectativa de uma resposta, com a ansiedade em último estágio sobre o veredicto que pode mudar a sua vida. Imagine então o que passa na cabeça de uma candidata, que espera o anúncio da vitória em uma eleição que a colocará no posto de a governante mais poderosa do planeta?

Este é o ponto de partida da peça Aquela Mulher, que estréia no próximo dia 18 no Teatro SESC Anchieta, no SESC Consolação. O monólogo traz Marília Gabriela na pele de H, uma mulher literalmente fechada num quarto, na eminência da confirmação sobre seu futuro. O argumento foi trabalhado pelo criativo escritor angolano José Eduardo Agualusa e é desenvolvido na forma de um texto em coordenadas que faz referências sem nomear figuras da atualidade, tornando-o assim, atemporal.

Ao longo de 70 minutos, a presidente eleita da nação mais poderosa do mundo divaga sobre sua vida, casamento, paixões, rancores, sexo, política, sexo e política, derrotas, conquistas e claro, a própria condição feminina. Tudo isso, num texto extremamente sofisticado e cheio de humor e ironia.

O encontro de Marília Gabriela, José Eduardo Agualusa e Antônio Fagundes (em sua estréia como diretor) já nasce memorável. Um dos maiores nomes do teatro brasileiro dirige o primeiro texto teatral de um dos nomes mais expressivos da literatura contemporânea, um monólogo escrito sob medida para o talento de Marilia Gabriela.

A admiração de Marília por Antônio Fagundes é antiga. A amizade se estreitou em ‘Duas Caras’, TV Globo. Sucesso de Ibope, os personagens dos atores, Juvenal e Guigui, dividiram quase todas as cenas principais na novela de Aguinaldo Silva que terminou este ano.


Ficha Técnica:

Autor: José Eduardo Agualusa
Direção: Antônio Fagundes
Elenco: Marília Gabriela
Cenário e figurino: Theodoro Cochrane
Trilha sonora: Morris Picciotto
Assistente de direção e preparação corporal: Clarisse Abujamra
Direção de produção: Fernanda Signorini
Realização: Marília Gabriela e Fernanda Signorini
Assessoria de imprensa: Morente Forte Comunicação


Serviço:
Aquela Mulher
Teatro SESC Anchieta – SESC Consolação

Local: Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque
Data: temporada de 18 de outubro a 21 de novembro de 2008
Horário: sexta e sábado, 21h; domingo, 19h
Preço: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, pessoas acima de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino); R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)
Recomendação: 14 anos
tel(11) 11 3234 3000

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Clarisse Abujamra na cidade de Brotas

Espetáculo Teatral: "Antonio" com Clarisse Abujamra dia 29/11 (sábado) no Centro Cultural às 21h. Clarisse assina a direção do espetáculo que teve em sua primeira versão direção e roteiro de Marcia Abujamra. No palco a atriz conta histórias de seus amores com delicadeza e humor.
Textos e poemas de Arnaldo Antunes, João Cabral de Melo Neto, Bertold Brecht, Fernando Pessoa, Elisa Lucinda, Olga Savary, Hilda Hilst, Anna Akmatova, entre outros.
Clarisse divide o palco com o pianista Ivan Abujamra. Um espetáculo que emociona. É imperdível.
Haverá venda de ingressos no Centro Cultural da cidade.


Responsáveis: Diretoria de Cultura e Associação dos Amigos da Cultura.

domingo, 9 de novembro de 2008

Cerimônia do Projeto Envolver Futuridade

Esse projeto tem a direção da Clarisse, e tem Nicete Bruno e Paulo Goulart, esse projeto será mostrado no Palácio dos Bandeirantes, São Paulo, dia 11 de novemrbo apartir das 19:00, esse projeto é voltador mais para os idosos, mas serve também para pessoas de todas as idades, quem puder ir, vá, tenho certeza de que não iram se arrepender!

sábado, 1 de novembro de 2008

Ausência

Pessoal, quero pedir mil desculpas, pois estive um tempo afastada do blog por conta de uma gripe bem forte, passei essa semana quase toda em casa, sem poder me mexer, e infelizmente não pude avisá-los que na noite de ontem aconteceria uma apresentação da nossa querida Clarisse Abujamra no Clube Alto de Pinheiros, bom agora já passou, e o que falta é pedir mil desculpas! Até a Próxima!

domingo, 26 de outubro de 2008

Teatro nas Universidades

Na próxima quarta-feira, dia 29 de outubro, ela estará no Teatro CIEE, com o projeto Teatro Nas Universidades.

Local: Rua Tabapuã, 445. São Paulo.
Horário: às 20 Hrs.
A entrada é franca, ou seja, você pode assistir um ótimo espetáculo com uma atriz super talentosa de graça.

Título Mulher de Valor

Ontem, sábado 25 de outubro a nossa querida Clarisse Abujamra, recebeu um importante premio, o Título de Mulher de Valor da Organização Brasileira de Mulheres Empresárias por sua contribuição à conquista da mulher na sociedade. A entrega aconteceu em Anhembi às 17:00.
Agora esse foi um prêmio muito mais que merecido, pois ela batalhou a vida inteira e precisava de uma gratificação!
Parabéns Clarisse!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

ESPM promove encontro de poetas

Sarau, palestras e homenagens marcam a II Semana da Poesia
Palestras de Ferreira Gullar, Clarisse Abujamra e Clotilde Tavares são os destaques

São Paulo, outubro de 2008 - Assim como a música e artes plásticas, a poesia também é uma forma de expressar opiniões, pensamentos, idéias e sentimentos. Para apresentar algumas das características do universo literário, a ESPM(Escola Superior de Propaganda e Marketing) realiza a II Semana da Poesia nos dias 21, 22 e 23 de outubro. Para o professor Luiz Celso Piratininga, presidente da Escola, a inteligência poética é, hoje, quase um requisito para o exercício de qualquer profissão.

O evento pretende sensibilizar os participantes – estudantes, professores e comunidade - para a liberdade de expressão por meio das diversas linguagens da comunicação. O poeta Ferreira Gullar abre o evento com a palestra “Encontro do Poeta com o Público”, com depoimento acerca de sua trajetória e as diferentes fases artísticas. Gullar é reconhecido e respeitado pelo seu famoso Poema Sujo, de 1975, pelos diversos prêmios já conquistados, entre os quais, o Jabuti, pelo livro Resmungos, reconhecido como melhor livro de ficção de 2007. Além de poeta, Gullar é crítico de arte, biógrafo, memorialista e ensaísta brasileiro.

No dia 22 de outubro, a atriz Clarisse Abujamra interpreta "A poesia nossa de cada dia" declamando poemas de autores famosos – e também de alunos e professores da ESPM. A escritora, dramaturga e atriz, Clotilde Tavares fará uma apresentação sobre "A propaganda na literatura em Cordel". Será distribuído aos participantes um folheto-cordel, escrito pela própria Clotilde, contando a história da ESPM desde a sua fundação, em 1951.

No último dia deste encontro literário, haverá homenagem ao poeta Eduardo Alves da Costa, autor do poema "No caminho com Maiakowski", considerado como manifesto em favor da liberdade de expressão. Além dele, será homenageado também o jornalista, escritor e político brasileiro, Artur da Távola, falecido em maio de 2008. Távola também foi poeta, apresentou programas na Rádio MEC e TV Cultura e foi um dos fundadores da ESPM-RJ nos anos 70.

Na ocasião acontecerá também a premiação dos vencedores do II Concurso de Poesia. Ao todo, foram inscritos 350 poemas de estudantes da ESPM de todas as unidades - São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro. A Semana de Poesia foi coordenada pelo professor Mário Chamie e os poemas escolhidos por um júri formado pelo ensaísta e tradutor, Claudio Willer, pelo professor João Anzanello Carrascoza e pelo Diretor do Instituto Cultural da ESPM, José Roberto Whitaker Penteado.

As apresentações são abertas ao público e a entrada é franca. Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 5085-4600 ou www.espm.br. Reservas também podem ser feitas pelo e-mail centralinfo@espm.br.

II Semana da Poesia
ESPM Campus Profº Francisco Gracioso
Rua Dr. Álvaro Alvim, 123, Vila Mariana
(11) 5085-4600
www.espm.br
centralinfo@espm.br

Programação Semana da Poesia na ESPM

Dia: 21 de outubro - terça-feira, às 14h
Encontro do Poeta com o Público Palestra com o Poeta Ferreira Gullar

Dia: 22 de outubro - quarta-feira, às 19h
Apresentações: Clotilde Tavares – Escritora. Palestra: A propaganda na literatura em Cordel
Clarisse Abujamra – Interpretação: A poesia nossa de cada dia

Dia: 23 de outubro, quinta-feira, às 19h
Premiação dos vencedores do II Concurso de Poesia
Coordenação: Profº Mário Chamie
Comitê Julgador: Claudio Willer, J. Roberto Whitaker Penteado e João Anzanello Carroscaza

Homenagem a Eduardo Alves da Costa, autor do poema No caminho com Maiakowski

Homenagem especial: Artur da Távola
Coquetel de encerramento

Informações à imprensa ESPM SP
Tamer Comunicação Empresarial
(11) 3031-2388 // (11) 9940-0128
Geyse Alencar - geyse@tamer.com.br
Rose Göbel - rosegobel@tamer.com.br

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Clarisse Abujamra apresenta "Antonio" na Casa do Saber em Jardins

Sobre o espetáculo
No palco, a atriz conta histórias de seus amores com delicadeza e humor. Fragmentos autobiográficos são entremeados com textos e poemas de Arnaldo Antunes, João Cabral de Melo Neto, Bertold Brecht, Fernando Pessoa, Elisa Lucinda, Olga Savary, Hilda Hilst, Anna Akmatova, entre outros.

Piano: Ivan Abujamra
Participação especial: Toninho Ferragutti

Início: 17 OUT
Duração: 1 encontro
Dias/horários: Sexta-Feira, às 21h (17/10)
Valor: R$ 60,00 na inscrição
Observações: estudantes com carteirinha pagam meia-entrada.



Tel.: (11) 3707-8900

Horário de funcionamento: 09h às 22h

E-mail:
info@casadosaber.com.br

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Clarisse dá uma Entrevista para o 20/20 Brasil

Entrevista realizada em Maio de 2004

Eu uso óculos
Do trono à sarjeta



Coreógrafa, atriz e diretora, Clarisse Abujamra mostra o real significado da palavra versatilidade e conta como os óculos fazem parte não só de sua rotina, mas de sua identidade

Lilian Liang

Versatilidade, teu nome é Clarisse. A bailarina, coreógrafa, atriz e diretora Clarisse Abujamra já deu provas suficientes disso, mas não cansa de se superar. No final de maio Clarisse dará vida a uma domadora de leões, na peça O que Leva Bofetadas, do russo Leonid Andreiev. Uma das duas únicas mulheres num elenco de 20 pessoas, ela se diverte enquanto aprende a arte de domar feras. “Estou saindo da ternura para o chicote”, brinca.
Difícil entender como alguém que enfrenta leões tenha começado a carreira na ponta dos pés, mas Clarisse começou. É o seu lado ternura. Conheceu os encantos das sapatilhas quando tinha apenas 4 anos e nunca mais as abandonou. Dançou seu caminho até Nova York, onde desembarcou aos 18 anos para ingressar na academia de Martha Graham, bailarina que revolucionou o conceito de dança nos EUA. Lá, aperfeiçoou a própria arte e dois anos depois voltou para o Brasil. Era 1968.
Em solo brasileiro, Clarisse começou a trabalhar como bailarina e coreógrafa, aos poucos fazendo incursões no mundo do teatro. Passou a fazer coreografias para peças – ela é uma das precursoras do teatro-dança no país – e quiseram os deuses que seu destino lhe batesse à porta numa madrugada, na pessoa da atriz Maria Della Costa. “Foi como nos contos de fadas”, lembra. “Na véspera da estréia a mocinha que fazia o personagem decidiu abandonar a peça e me chamaram para substituí-la. Não sabia nenhuma fala, mas conhecia toda a coreografia.” Entrou em cena e por dias brigou com a produção do espetáculo, que não encontrava ninguém para colocar em seu lugar. Aos poucos foi ficando e criou gosto pela coisa, cumprindo a “profecia” que seu tio Antônio Abujamra, um dos mais conceituados diretores teatrais brasileiros, fizera anos antes: “Clarissinha, você vai fazer teatro”.
“Clarissinha” foi além. Fez teatro, televisão, cinema, direção, sem nunca abandonar a dança. Seus trabalhos mais importantes incluem a coreografia do premiado musical Godspell, de Altair Lima, e a atuação no filme Anjos do Arrabalde, de Carlos Reichenback. Participou de peças que marcaram época no teatro brasileiro, como Morte Acidental de um Anarquista, de Antônio Abujamra, Agnes de Deus, de Jorge Takla, e Carmen com Filtro, de Gerald Thomas. Em televisão, fez parte do elenco de novelas memoráveis como Os Ossos do Barão, do SBT, Escrava Isaura e Anjo Mau, ambas da Globo.
Mesmo com o currículo de peso, uma de suas frustrações é não ter se dedicado tanto quanto gostaria à interpretação. “Nunca tive um alvo definido, estava sempre no estúdio, coreografando, dando aulas, e ao mesmo tempo tocando a carreira de atriz. Gostaria de ter me dedicado a ela com mais afinco”, lamenta. Exagero? Não no mundo de Clarisse, onde as emoções são incomparavelmente mais intensas que no universo dos mortais. “Sempre fui movida por ansiedades e paixões. Vou do trono mais alto à sarjeta em fração de segundos sem nenhum problema”, confessa. “Essa é a síntese da minha vida.”
É essa intensidade que permite que a atriz se mantenha no topo de uma agenda que inclui ensaios, sessões de RPG, compras na feira – pensar que Clarisse Abujamra também vai à feira! – e viagens com os espetáculos A Maçã de Eva e Antonio – da tão necessária poesia. Clarisse ainda encontra tempo para sonhar com projetos como um livro e a viabilização da peça Chantecler, que traduziu e adaptou.
O equilíbrio vem das delicadezas que a cercam no dia-a-dia. Clarisse alimenta-se de poesia, que se encontra espalhada em livros pelo amplo apartamento no décimo andar de um prédio em Higienópolis, em São Paulo. Lê um poema por dia, com a mesma disciplina com que ora e medita todas as manhãs. E encontra a plenitude capaz de amansar o espírito inquieto em três nomes simples – Dinah, Antônio e Diana, seus filhos. Nomes simples e leves, como se para domar esse leão chamado Clarisse.

20/20 - Você sempre usou óculos?
Clarisse - Uso óculos há 51 anos. Comecei a usá-los aos 5 anos de idade, quando fui diagnosticada com astigmatismo e hipermetropia. O grau foi aumentando e hoje, com 7,5 graus, não enxergo nada com nitidez. Detalhes são impossíveis. Estou tentada a operar, mas morro de medo. Já tentei usar lentes de contato, mas não consegui. Tenho tanto medo que aconteça alguma coisa com a minha visão! Tenho pensado em fazer uma cirurgia, mas outro dia me dei conta de que, se operar, não vou mais ter que usar óculos.

20/20 - Mas não é esse o intuito?
Clarisse - É uma sensação estranha. Depois que fechei meu estúdio, por exemplo, uma das minhas grandes dificuldades era escolher que roupa usar. Como trabalhei com dança minha vida inteira, levantava, colocava a roupa de dança e só tirava à noite para o espetáculo ou para ir para casa. Quando parei de dar aulas, não sabia como me arrumar. Com os óculos, por mais ridículo que pareça, pensei a mesma coisa. Eu tenho um buraco do lado do colchão onde eu guardo os óculos antes de dormir. Quando acordo, a primeira coisa que faço é colocá-los. Já saio da cama com eles. Aí escovo os dentes de óculos e tiro para lavar o rosto. Nunca fico sem eles. Brinco que nunca vi meu rosto sem óculos, a não ser quando faço televisão ou vejo o vídeo de uma peça. Operar mexe com tudo isso.

20/20 - Quantos pares de óculos você tem e o que você procura numa armação?
Clarisse - Hoje eu tenho sete pares de óculos. Sempre procurei as menores armações, porque como meu grau é forte fica aquele fundo de garrafa. O primeiro par grande que usei foi um que ganhei do Miguel Giannini, quando participei de um desfile. Mas os outros são bem pequenos e leves, primeiro para não pesar no rosto e segundo porque eu uso o dia inteiro e às vezes me incomoda. Tirar os óculos é o meu primeiro sintoma de cansaço.

20/20 - Você atua de óculos?
Clarisse - A única vez que subi num palco de óculos foi para um personagem muito engraçado, que era uma vaca de presépio. A Valderez de Barros fazia a dona do presépio e eu fazia a vaca. Pedi para o diretor se podia usar óculos porque num determinado momento do espetáculo o coral cantava e a vaca levantava e todos viam meu rosto.

20/20 - Mas não enxergar não atrapalha no palco?

Clarisse - Nunca ninguém percebeu, mas algumas coisas absurdas já aconteceram. Uma vez eu caí para fora do palco porque não vi um degrauzinho. Outra vez foi uma peça com o Antônio Fagundes, que começava com meu personagem escrevendo num quadro-negro. Eu entrava num blecaute. Uma vez me coloquei mal, a luz acendeu e eu comecei a escrever. Mas porque a parede era preta também, eu escrevia metade no palco, metade na parede. E, enquanto escrevia, pensava “Engraçado, a textura desse quadro está esquisita!”. E era uma peça tensíssima, onde o Fagundes fazia o poder e eu fazia a mulher do povo, uma escrava do poder. Quando ele entrou e me viu escrevendo na parede, caiu na gargalhada.
Mas esses são episódios isolados. Eu sempre estudo o palco com óculos, depois sem óculos, busco referências dentro do que eu enxergo. Há algum tempo eu fiz um musical e não tropecei em nenhum fio durante a temporada. Todos tropeçaram, menos eu, porque eu tenho uma atenção muito grande. Mas confesso que sinto falta de sentir o olho do meu parceiro em determinados espetáculos, quando tem que ser no cara-a-cara.

20/20 - Como foi a transição da dança para o teatro e a TV?
Clarisse - Segundo minha mãe, eu entrei no estúdio com 4 anos e nunca mais saí. Não conheço outro lado da vida. Comecei dançando, depois passei a coreografar e fui parar em teatro. Aos poucos comecei a interpretar. O Abujamra foi um cara que sempre me falou que eu ia ser atriz, mas eu não acreditava. Virei atriz por coincidência. Eu coreografava uma peça, mas na véspera da estréia a mocinha que fazia o personagem brigou com a produção e saiu. Acordei de madrugada com a Maria Della Costa batendo na minha porta, pedindo que eu entrasse em cena no dia seguinte. Entrei porque sabia a coreografia inteira, mas briguei dez dias com a produção porque não encontravam ninguém pra me substituir. Como a linha que divide a coreografia e o teatro é muito tênue, fui ficando e criei gosto pela coisa.

20/20 - Qual sua atividade preferida?
Clarisse - O que vale para mim é interpretar, não importa se é teatro ou cinema. Hoje em dia estou tentando escrever. Quero escrever um livro de cunho pessoal até o final deste ano. Vou dar a cara para bater. Escrevo desde que me conheço por gente. Sempre observei absurdamente, porque a observação é a grande aula do ator. Mas agora, além de observar, tenho vontade de escrever sobre o que observo.

20/20 - Algum arrependimento?
Clarisse - Sempre atirei em muitos alvos. Gostaria de ter investido na minha carreira de atriz com mais afinco, porque eu estava sempre dentro do estúdio, coreografando, dando aula, e ia tocando minha carreira de atriz. Investi com todas as fichas um pouco tarde. Não que eu gostasse mais de dança. Eu tinha a mesma paixão pelas artes, mas sempre fui movida por ansiedades e paixões e não conseguia ficar em uma só. Essa é a síntese da minha vida. O Abu [Abujamra] gostava de brincar dizendo “Ansiedade, teu nome é Clarisse”.

20/20 - Você vê a cultura caminhando no Brasil?

Clarisse - Acho que a gente tem que caminhar. Nada vai acontecer enquanto as pessoas não entenderem que o maior investimento em cultura é a educação, enquanto o jovem não for educado com a tendência para arte. Um dos empecilhos é a “censura econômica”. Antes havia a censura moral, mas hoje a falta de condições econômicas impede que o jovem dê continuidade às coisas que lhe interessam. Mas a educação ainda é a grande chave.

20/20 - O que Clarisse Abujamra quer para o futuro?
Clarisse - Acho que meu primeiro projeto é o projeto de todo ator: encontrar o grande personagem, O personagem. Como diretora, meu plano mais ousado é dirigir um musical chamado Chantecler, que eu traduzi e adaptei e que é a menina dos meus olhos. E como escritora – nossa, não gosto de usar essa palavra! –, como alguém que escreve, quero conseguir terminar meu livro. Esse é o mais íntimo e delicado dos meus sonhos.

sábado, 11 de outubro de 2008

Joven Pan On Line

Pessoal, finalmente consegui terminar... uuufaaaa! demoro mais chegou, rsrs, bom sem mais delongas aí está a entrevista:

Patrícia Rizzo: Olá! Espero que você tenha curtido bastante seu carnaval. Hoje nós voltamos a falar sobre teatro, nós recebemos a atriz Clarisse Abujamra, em cartaz com o espetáculo “Antonio - De Tua Tão Necessária Poesia” em cartaz em São Paulo. Tudo bem Clarisse?
Clarisse Abujamra: Tudo ótimo!
Patrícia: Obrigada pela presença!
Clarisse: Obrigada! Obrigada!
Patrícia: O texto é seu né? Direção também?
Clarisse: Olha né que o texto seja meu?! O roteiro foi assinado por Márcia Abujamra e eu, e na verdade, é uma desculpa, é... O nosso texto é uma costura pra se dizer belíssimos textos, então que é que agente pego?! Eu peguei a minha vida “amorosa” digamos assim, que serviu de, de espinha dorsal para que agente pudesse dizer textos maravilhosos no palco.
Patrícia: Quem são os “Antonios” da sua vida? É um texto autobiográfico?!
Clarisse: (risos) Aí... Aí é que seu eu contar vai perder a graça né? São seis “Antonios”.
Patrícia: Seis “Antonios”?
Clarisse: Seis “Antonios”! Eu começo o espetáculo dizendo que alguns homens que deliciosamente mandaram e desmandaram na minha vida, hoje me servem de inspiração, então eu acho que... (risos) é meio complicado eu dizer quais são...
Patrícia: Tem que assistir?
Clarisse: “Tem que assistir! Mas eles passam assim, vai desde o amigo até o amante, até o amor, tem o amor incondicional, até o que virá, enfim, são os “Antonios” da minha vida.
Patrícia: No texto você faz um apanhado de poemas e textos de outros autores, do Arnaldo Antunes, João Cabral de Mello Neto...
Clarisse: Ana, Hilda Hilst, Olga Savary, Arnaldo Antunes, Antonio Cícero, Manoel de Barros, Fernando Pessoa, claro, José Régio, quem mais? É...
Patrícia: E esse apanhado foi feito de que forma? Por que esses autores?
Clarisse: Você sabe que se você me perguntar, eu não sei te responder, foi uma coisa tão natural, por que é impressionante como os textos tem haver com o “Antonio” escolhido, né? Então o Abujamra... Oh já falei (risos) vai lá o 1° é o Antonio Abujamra, claro! E toda a minha formação ao lado dele, que sempre me instigou com José Régio, João Cabral de Mello Neto, enfim, os textos foram aflorando assim sabe, foi uma experiência belíssima, porque todos têm haver tanto que as pessoas vão assistir e dizem: “Puxa, mas é impressionante como você fala da sua vida, não sei que...” e na verdade, não é uma exposição tão grande, eu ouvi de um amigo meu e de várias pessoas que me disseram: “Nossa, você tava falando da minha vida...”, então, um grande publicitário foi assistir e falou: “Porra Clarisse, eu não sabia que você conhecia tanto, sabia tanto de mim...” quer dizer, o belo é isso você ver que a desculpa são meus homens, mas que você vê que é no micro que está o macro, e eu não to falando de mim, meu deus do céu...
Patrícia: As pessoas se identificam?!
Clarisse: Eu to abrindo as portas em cena, através de textos maravilhosos e numa atitude kamikaze, né? Por que fazer um espetáculo a 01h30min da tarde no domingo, você a de convir comigo... (risos).
Patrícia: É um horário bem alternativo...
Clarisse: Olha, eu acho o espaço perfeito, a Livraria Cultura, o Dan e o Pedro me abriram esse espaço, por que tem tudo haver, quem freqüenta uma livraria tem uma certa curiosidade digamos assim pela literatura, apesar do espetáculo ser pra qualquer um, não tem idade, tem humor, tem emoção, é uma delícia...
Patrícia: Tem música?
Clarisse: Tem! Eu estou acompanhada pelo pianista Ivan Abujamra, (risos) essa família é uma máfia não? (risos)
Patrícia: É um espetáculo em família então?
Clarisse: Em família e então o lugar é muito propício e as pessoas vão lá, tomam um cafezinho lá em baixo depois, eu digo que é um pouco de amor, um pouco de malícia antes do almoço e saem de lá e vão almoçar, o espetáculo é uma hora cravada, vai da 01h30min ás 02h30min e nós temos tido uma platéia maravilhosa.
Patrícia: Bacana! Você vai ao teatro?
Clarisse: Muito, sempre que posso!
Patrícia: É difícil ou você consegue ir bastante?
Clarisse: É difícil por que, eu ando cansada, que eu ando gravando uma novela há sete meses e eu to escrevendo também, to organizando minha viagem pro Rio de Janeiro, to indo com dois espetáculos pro Rio (risos)... Enfim, eu to com a minha agenda bastante ocupada, mas sempre que posso...
Patrícia: Você tem gostado que você têm visto? No teatro de grupo? O que você pensa sobre teatro em grupo?
Clarisse: Eu acho maravilhoso, eu só sinto que ele tem uma certa emergência imposta pelos dias que agente, está vivendo que o trabalho em grupo é belo quando ele tem tempo pra se organizar pra estudar, pra pesquisar, pra isso vem o famoso aproximado atrás o famoso respaldo, a famosa retaguarda, são fatores para se fazer um trabalho de pesquisa e desenvolver seu trabalho, mas eu sou super a favor desses jovens se encontrando e você vê o que prolifero, o que cresceu de escritores jovens dramaturgos, né? Isso é muito importante.
Patrícia: E é fruto da pesquisa, que eles desenvolvem temas que querem dizer...
Clarisse: Com certeza... A única coisa lastimável nisso tudo que está acontecendo no teatro essa história de você fazer uma vez, duas vezes por semana, nenhum grupo se sustenta, nenhum grupo se aperfeiçoa, nenhum grupo gera público, se apresentando uma vez duas vezes por semana, então eu acho que isso é um assunto delicadíssimo que levaríamos (risos) programas discutindo.
Patrícia: Sem dúvida! Bom fica aí uma ótima dica pro seu final de semana, domingo logo após o almoço, ou antes...
Clarisse: Antes... (risos)
Patrícia: Dependendo do horário que você quiser almoçar, “Antonio - De Tua Tão Necessária Poesia”, um espetáculo belíssimo muito sensível, com a Clarisse Abujamra, até o dia 24 de fevereiro, aos domingos há 01h30min da tarde, no Teatro Eva Hertz, teatro novo...
Clarisse: Na Livraria Cultura, que fica no Conjunto Nacional Paulista de esquina com a Rua Augusta, você tem tudo de bom, inclusive o metro que te deixa na porta, num horário agradabilíssimo, se você vai de carro tem estacionamento, enfim faca e o queijo...
Patrícia: É... O endereço de lá é a Avenida Paulista, 2073, os ingressos custam R$ 30,00, isso aí Clarisse, parabéns pelo trabalho belíssimo trabalho “Antonio” sucesso no espetáculo.
Clarisse: Obrigada e eu espero vocês!
Patrícia: E até a próxima! Até mais!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Clarisse em Araras

Olá pessoal, estou aqui para avisar que a Clarisse vai estar em Araras se apresentando com o espetáculo "Antonio - De Tua Tão Necessária Poesia", infelizmente não tenho muitas informações para passar para vocês, isso é tudo que tenho espero que me perdoem, pois não sou nem de São Paulo nem do Rio, sou de Recife - PE, ou seja estou bem longe, para dar informações mais precisas, bom era isso bjo em todos e até logo!

domingo, 5 de outubro de 2008

PESSOAL DO BLOG, PARA COMPENSAR MINHA FALTA DE TEMPO EM COLOCAR A ENTREVISTA DA CLARISSE PARA O "JOVEM PAN ON LINE" POR ESCRITO, FIZ ESSE SINGELO SLIDSHOW, ESPERO QUE GOSTEM! BJUSS EM TODOS!



sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Conscientização

Olá Pessoal, me posto aqui nesse começo de madrugada para pedir desculpas, pois não podereia colocar a entrevista da Clarisse aqui no blog, não tenh previsão de quando vou colocar! e segundo e muito importante, pessoal domingo é eleição e eu peço a vocês qu prestem muita atençaõ em quem estão votando, voto é muito importante,e a pessoa que você colocar lá no poder vai ficar por lá durante 4 anos, e como diz o comercial "quatro anos é muito tempo" prestem muita atenção mesmo, tenho certeza de que vocês vão fazer a escolha certa, cada pessoa em sua cidade, e espero que a pessoa que você escolha saiba merecer o seu voto! bjkas enormes para vcs! até logo!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Clarisse fala sobre seu monólogo "Antonio"

Gente, descobri um vídeo da Clarisse em que ela fala um pouco sobre o monólogo "Antonio - Da Tua Tão Necessária Poesia". Além dela falar bem rápido de seus projetos! Este é o link:

http://jovempan.uol.com.br/jp/media/online/index.php%3Fview%3D7737%26apresentador%3D108%26page%3D2


Qualquer coisa se não conseguirem eu vou postar a entrevista por escrito, ou amanhã ou quinta, no máximo na sexta feira sem falta!

Fotos do projeto Dramaturgias!



Pessoal, estou aqui nesse último dia de setembro para postar algumas fotos, com a Clarisse, que consegui com um amigo (Valeu Ivan), ele foi assistir o Dramaturgias com a Atriz Betty Faria, que aconteceu na última quarta-feira dia 24 de semtembro! como todos vocês sabem a mediadora desse projeto é a nossa queridíssima Clarisse Abujamra. sem muitas delongas aí estão as fotos:











PS: ESSAS SÃO APENAS ALGUMAS DAS FOTOS QUE RECEBI LOGO, LOGO VOU POSTAR AS OUTRAS.

domingo, 21 de setembro de 2008

Dramaturgias – Homenagem aos Grandes Atores da Cena Nacional

Betty Faria
Local: Teatro (125 lugares)
Quarta - 24 de setembro, às 19h30
Entrada franca – com retirada de senha no dia da sessão, a partir das 10h.

Programa regular de leituras dramáticas de textos que contribuem para a difusão da dramaturgia clássica, contemporânea, nacional e internacional. O tema deste ano abre espaço para que atores brasileiros consagrados escolham o texto para a leitura, escrito em qualquer tempo e por qualquer autor na história da dramaturgia mundial.

A convidada do mês é Betty Faria, uma de nossas grandes atrizes, presença marcante na dramaturgia brasileira e que possui brilhante carreira artística na televisão, cinema e teatro. Após a leitura, a atriz convidada e a consultora Clarisse Abujamra promovem um bate-papo com a platéia. Direção geral de Neusa Andrade.

Classificação indicativa: 12 anos.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Clarisse no projeto Teatro Nas Universidades

Gente estou aqui para avisar que amanhã e quarta feira a Clarisse vai estar participando do projeto "Teatro nas Universidades" um projetos dos atores Nicette Bruno e Paulo Goulart! ela irá apresentar o monólogo "Antonio - Da tua tão necessária poesia" em que ela ilustra várias histórias, amores, entre outras coisas, na sua vida.
as apresentações serão feitas respectivamente no dia 16(amanhã) e dia 17 (quarta) de semtembro
locais:
16:no teatro Cosipa Cultura em S.Paulo
17:no teatro municipal de Cubatão
Gente aviso muito, mas muito importante, a entrada é gratuita, ou seja você pode ver um ótimo espetáculo com uma atriz maravilhosa(rsrs, sem brincadeira) e além de tudo ainda é de graça, então aproveitem bem, e bom espetáculo!
Aqui estão algumas fotos do monólogo! bjuss e boa noite a todos!




sábado, 13 de setembro de 2008

Parabéns Pra você...!

Olá pessoal, hoje eu vou abrir um espaço especial para uma pessoa muito importante na vida da Clarisse, hoje é anivesário do seu tio, Antonio Abujamra, ou como ela mesma chama "Abu", hoje ele está completando 76 anos de muito amor a arte, ele que foi o 1° a perceber qual era o caminho da Clarisse, sempre dizia para ela fazer teatro, mas ela nunca o escutava, mas ele sabia que um dia ela ia acabar aceitando a sua vocação. Antonio ainda é pai do também ator e músico André Abujamra, que recentemente participou da novela "Beleza Pura". Antonio atualmente está com seu programa "Provocações" na TV Cultura ou TVE Brasil, não sei ao certo. então essa foi uma singela homenagem a esse grande homem Antonio Abujamra.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Folha faz leitura da peça "Mambo Italiano" hoje

A Folha promove nesta quarta-feira (10), às 20h, leitura de "Mambo Italiano", do canadense Steve Galluccio. Com tradução e direção de Clarisse Abujamra, terá como atores convidados Tânia Bondezan, Maria Eugênia di Domenico e Leonardo Cortez, entre outros.

Os interessados podem se inscrever gratuitamente pelo e-mail eventofolha@folhasp.com.br ou pelo tel. 0/xx/11/3224-3698, das 14h às 19h.

O evento será realizado no auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, São Paulo).

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Clarisse no Centro Cultural do Banco do Brasil

Eva Wilma ganha homenagem pelos 55 anos de carreira

Os 55 anos de carreira da atriz Eva Wilma, 74, serão comemorados na próxima quarta-feira (27), às 19h30, em São Paulo, no Programa de Dramaturgias do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

A atriz marcou a história da TV brasileira, como na primeira versão da novela "Mulheres de Areia" (1973), na extinta TV Tupi, na qual viveu as gêmeas Ruth e Raquel. Em 1997, ela viveu a vilã Altiva, na novela "A Indomada".

Na homenagem, Eva subirá ao palco para ler a peça "Um Brinde ao Teatro", texto elaborado em parceria com diretor teatral Antônio Gilberto. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados a partir das 10h, na bilheteria do CCBB (r. Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo; tel. 0/xx/11/3113-3651).

"Um Brinde ao Teatro" é uma coletânea de fragmentos de clássicos da dramaturgia interpretados que Eva Wilma interpretou ao longo de sua carreira e trechos de obras de diversos autores como August Strindberg, Lya Luft e Fernando Pessoa.

Ainda neste segundo semestre, serão homenageadas Betty Faria (24 de setembro), Paulo Betti (29 de outubro) e Christiane Torloni (26 de novembro), sempre às 19h30.

Após a leitura dramática, Eva Wilma vai conversar com a platéia sobre sua carreira, com mediação da atriz Clarisse Abujamra. A direção do evento é de Neusa Andrade.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Uma Entrevista da Clarisse para o programa “Prazer em Conhecê-lo” da Rede Vida dia 3/6/2007

Quem me mandou essa entrevista foi a Lílian, ela me mandou o link as infelizmente não pude ver, e nem poderia posta-lo aqui, então ela me mandou por escrito, ficou um pouco grandinha como ela mesma colocou no e-mail que me mandou, mas sei que foi com todo carinho e admiração que ela sente pela Clarisse que ela me mandou.

Entrevista para o programa “Prazer em Conhecê-lo” da Rede Vida dia 3/6/2007.

Começa o programa, uma série de conversas... Vários apresentadores, por isso, coloco só as perguntas e não quem perguntou.

Apresentador: (...) dito isso, a gente vai trazer a convidada de hoje. Importante convidada de hoje. Aliás, nesse programa só vem gente importante para o telespectador? Estamos trazendo aqui um dos nomes mais importantes da cena artística brasileira. É uma família, que toda ela traz uma bagagem. Uma família que pode-se dizer, faz o teatro brasileiro, faz a televisão brasileira, que contribui para que esse cenário seja importante, seja reconhecido no mundo inteiro. Nós vamos trazer aqui uma Abujamra. Já reconheceu esse sobrenome né? Então vamos trazer pra vocês no prazer em conhecê-lo de hoje, Clarisse Abujamra. Tudo bem Clarisse?

Clarisse: Melhor impossível.

Apresentador: Clarisse é produtora, é atriz, é diretora, e agora é tradutora também, de uma peça muito importante que vai ser lançada agora dia 5. Esse programa vai ao ar dia 3? E dia 5 de junho agora começa no Instituto Cultural Capobianco uma peça maravilhosa chamada “As Nove Partes do Desejo” que é tradução sua né? Conta pra gente?

Clarisse: Uhum. Eu fiz a tradução e a adaptação. Olha, eu vi esse espetáculo em Nova Iorque em 2004 e fiquei absolutamente extasiada quando o espetáculo acabou. Um baque violentíssimo. Ele trata das mulheres árabes iraquianas perante a guerra. Então vocês podem imaginar a pungência, o quanto comove esse espetáculo brilhantemente escrito por uma jovem chamada Heather Raffo, de 34 anos; hoje ela tem 34 anos. Ela levou 11 anos pesquisando e tem já na vida dela um ponto de exclamação porque o pai é iraquiano e a mãe é americana. Não preciso dizer mais nada né... Quando acabou o espetáculo, no meio do espetáculo, eu falei: ‘eu vou fazer isso’. Quando acabou, falei: ‘não, deixa baixar a poeira, estou sob a emoção do que eu vi, vou esperar um pouquinho’. Fiquei com medo, confesso que fosse uma coisa meio oportunista, porque infelizmente, a pauta do Iraque é uma pauta difícil. Que está no ar direto. E eu vim pro Brasil e passei um ano sem conseguir esquecer uma frase do que eu ouvi. Tentei de todas as formas entrar em contato com essa mulher, não consegui. Voltei pra Nova Iorque. Fiz uma coisa que eu nunca fiz na minha vida, eu fique sentada na porta do teatro, um frio, do lado de fora, num banco, rezando pra que ela passasse – o teatro estava fechado – e eu a visse e pudesse pará-la e falar com ela. Toquei a campainha, me falaram: ‘só tem o espetáculo, começa tal hora’ eu falei: ‘ah, ta, muito obrigada’ voltei e sentei no banco. Daí a pouco, vi a porta do teatro abri e um moço sair. No que ele saiu, eu botei a mão na porta – é que vocês não me conhecem, mas pra mim, fazer isso é... Pra eu fazer isso, é um absurdo! E entrei no teatro. Entrei e perguntei pro bilheteiro... Não tinha ninguém ali, de repente veio uma moça, eu falei: ‘por favor, a Heather?’ ela falou: ‘não, ela só vem mais tarde pra fazer o espetáculo’ eu disse: ‘você poderia me dar um contato dela mais certo? Ou do empresário dela que eu gostaria de falar?’ no que estou falando isso, abre a porta e entra a Heather. Aí ela falou assim: ‘boa tarde Sra. Heather!’ eu na mesma hora fui pra cima dela. Ela disse: ‘ mas é claro que eu me lembro – ela sabia tudo – você me deixou um cartão... ’ é que nesse intém, ela tinha mudado de empresário e eu não conseguia, eles não ficaram sabendo, enfim... E foi uma emoção. Porque ela é de uma ternura, de uma educação, e quando eu acabei de me colocar pra ela, falei que eu era do Brasil, que eu gostaria de montar, ela não me conhece, não tem a menor idéia do meu histórico, quem é essa mulher que aparece aqui e quer fazer... Mas foi um encontro de alma mesmo. Ela estava sentada, eu em pé, aí eu fui me despedir dela e ela levantou “e fez assim com a mão” (como vem aqui) que á um gesto que minha avó, Nazira, mãe do Abu, fazia muito. Aquilo me deu um arrepio na coluna sabe um gesto de família que ela fez. E levantou e me deu um abraço mais amigo e me emociono até hoje de lembrar. E aí, voltei pro Brasil, claro, ela me deu os direitos – me deu não né, (risos) cedeu; eu comprei os direitos da peça e dois anos depois, abrimos o pano com “As Nove Partes do Desejo”. Ela veio pro Brasil, pra ver o espetáculo. E a gente estava super apreensivo, porque a direção do Márcio Aurélio é brilhante, não tem nada a ver com o espetáculo que eu vi em Nova Iorque, nada! Então a gente estava com aquela apreensão. E com um detalhe gravíssimo, porque nos Estados Unidos, você não mete a mão num texto, você respeita. E eu meti a mão no texto. Porque tinham dados que, como é uma coisa factual, é um documentário em cena, certas informações já estavam ultrapassadas. Então eu fui peneirando as coisas mais atuais, e disse pra ela que algumas coisas eu estava tentando colocar na situação do Brasil, para o público brasileiro. Mas ela enlouqueceu com o trabalho graças a Deus! Foi maravilhoso! Então eu estou voltando agora, vou fazer só as terças, quartas e quintas. Eu pretendo pegar muito as universidades, porque eu quero viajar com o espetáculo as sextas e sábados. Estou fazendo festivais e cidades, enfim, se alguma cidade se interessar em ver “As Nove Partes do Desejo”, eu estou viajando. E vou ficar nesse Instituto Cultural Capobianco, que é um espaço relativamente novo em São Paulo, lindo, uma graça de teatro, pequeno, tem 100 lugares. Muito próprio pro espetáculo. Eu não sou uma atriz que gosta de espetáculos com grandes platéias. Desde sempre, eu gosto no máximo, estourando 300 pessoas. Se eu puder, eu ponho as pessoas ali no palco mesmo, eu gosto de olho no olho. E esse espetáculo praticamente pede isso. Então o teatro é perfeito pra isso.

Ap: Então, já percebeu o telespectador que tem aí um programa obrigatório pra ir, lá no Instituto Cultural Capobianco. Que fica na Rua Álvaro de Carvalho. É isso?

Clarisse: Álvaro de Carvalho é. As pessoas não lembram muito onde é. Você descendo a Consolação no sentido cidade, passou a São Luís, se você seguir reto, vai pro Municipal. Não tem uma rampa do lado, onde tem uns estacionamentos? Desceu aquela rampa, à direita já é a Álvaro de Carvalho.

Ap: Terça, quarta e quinta às 21h. Quanto custa isso é o que interessa.

Clarisse: Boa pergunta! Eu acho que é 30 inteira e 15 meia.

Ap: Já está bom! Tem uns que acham caro né Clarisse?

Clarisse: Eu não acho que o teatro é caro, eu acho que a gente ganha mal.

Ap: Não, eu digo, têm algumas peças que não valem aquilo que cobram não é?

Clarisse: Aí a cada um sua sentença... (risos)

Ap: Bom, vamos começar o programa. Clarisse, você conhece o programa não é?

Clarisse: Conheço.

Ap: Então vou fazer umas perguntinhas pra localizar você. Nome todo? Clarisse Abujamra ou tem mais coisa?

Clarisse: Mattos Abujamra. Mattos, que é da minha mãe.

Ap: Seu papai, quem era?

Clarisse: Meu pai é! João Abujamra, que é poeta também, escritor industrial.

Ap: Está vivo?

Clarisse: Está... Os dois.

Ap: Está assistindo o programa?

Clarisse: Com toda certeza! (risos) Mais fácil um burro voar do que... (risos) A família comparece!

Ap: Quais são os Abujamra mais famosos que tem por aí?

Clarisse: Eu acho que o primeiro deles, que é o Antonio Abujamra, que tem o ‘Provocações’, o famoso programa. Aliás, agora ele está se apresentando no festival de teatro em Portugal, depois vai pra Praga, fazer algumas tomadas para o ‘Provocações’. E já tem uma geração nova de Abujamras que são de um talento a toda prova. A Ive Abujamra, que é irmã do Ivan Abujamra que é um grande fotógrafo, é uma diretora de comerciais, de clipes, etc, a menina é fera! A Maria João que está despontando como atriz, fez agora um Tchécov, com direção do Abu também. Que é maravilhosa! A Maria Júlia...

Ap: A Maria João é a que faz participação no programa do Amauri Jr?

Clarisse: Isso! Mas agora, ela está encadeando mais pra carreira de atriz mesmo.

Ap: Ela estava fazendo uma apresentação lá, estava muito bem, ela é ótima!

Clarisse: É ela é uma graça de menina, impulsiva!

Ap: É aquela que tem um piercing na língua.

Clarisse: É... (risos) A irmã dela, Maria Júlia, é uma pintora maravilhosa! Tem quadros belíssimos, toca tchelo... Tem uma geração nova de Abujamras que eu fico orgulhosíssima!

Ap: Como é o nome da mamãe?

Clarisse: Dinah. Que é o nome da minha filha mais velha também.

Ap: Aqui pede data de nascimento...

Clarisse: Com muito orgulho! Ano que vem eu faço 60 anos. Eu nasci em 48.

Ap: Nossa! Está começando!

Clarisse: É, há quem diga!

Ap: Estado civil?

Clarisse: Eu sou divorciada.

Ap: Você é muito bem casada, várias vezes...

Clarisse: Não, eu casei uma vez só!

Ap: O marido todo mundo conhece não é?

Clarisse: Conhece!

Ap: É um mais ou menos aí, um tal de Antonio Fagundes, aquele feio.

Clarisse: É pouco talentoso...

Ap: Filhos?

Clarisse: Três, Dinah, que é minha filha velha; Diana, que é a caçula; e Antonio, que é o do meio.

Ap: Muito bem! Profissão, já falamos tudo, vamos começar... (...) Você acredita em amor a primeira vista? Ou isso só acontece nas novelas?

Clarisse: Acredito! Acredito sim. Por que não né? Não tenho dúvida nenhuma, é possível sim. O meu casamento se deu quase com uma história de amor a primeira vista. Pelo menos da minha parte. Então eu acredito. O amor, seja como for, a primeira vista, a décima, ele é sempre bem vindo.

Ap: Clarisse, na opinião de Charles Dickens, cada fracasso nos ensina algo que necessitávamos aprender. Qual foi o seu maior fracasso?

Clarisse: Meu maior fracasso? Eu ainda não vivi o maior fracasso. Porque, eu tive algumas experiências não tão vitoriosas, digamos assim. Mas eu não reputo nenhuma delas a um fracasso; porque era uma lição tão grande, era um aprendizado tão grande, eu não conseguiria nem verbalizar isso, 'foi um fracasso’.

Ap: Desculpe a pergunta...

Clarisse: Não, imagina! Bem pertinente. A gente podia conversar sobre isso horas, eu realmente acho que se é um fracasso, ele veio pra te abrir uma porta, pra você ficar mais esperta, pra você lidar com a sua competência, ou não. Então eu acho que muitas vezes ele é até bem vindo.

Ap: Dizem que a nossa personalidade é produto dos livros que lemos, que gostamos, que livros marcaram a sua vida?

Clarisse: Nada na minha vida tem ‘um’. Eu sou uma leitora voraz! É a grande paixão da minha vida. Eu tenho algumas coisas que eu prefiro, desde sempre – eu nasci alimentada pela dança e pela poesia, eu sou alucinada por poesia, a poesia é como uma bíblia pra mim. Eu tenho um livro de poesias do lado do meu computador, do lado da cama, pela casa inteira, na minha casa, onde você for você vai encontrar algum poeta ali no canto. Eu acho que a poesia nos torna melhores, acho que nos faz compreender o outro melhor. Eu adoro a beleza da palavra, e a poesia é isso, é o exercício pleno dessa beleza. E outra coisa que eu gosto demais são as biografias, eu adoro biografia! Agora mesmo, estou lendo de Kafka, estou adorando. E estou fazendo uma coisa que nunca fiz antes, eu sempre lia um livro de cada vez, hoje eu leio três livros ao mesmo tempo. Eu tenho um na bolsa, que é, por exemplo, se eu venho trabalhar, atrasou, eu pego um livro mais leve, o livro de poesia eu nem falo porque eu consulto todos os dias. Aí eu tenho um que ou é o maior deles, um russo daqueles pesados que não dá nem pra carregar, aliás, eu adoro os russos! E um outro, ali no meio termo que se eu não estou afim de pegar aquele livro que requer tanto... Eu to lendo junto com essa biografia do Kafka, estou terminando um que eu nunca tinha chegado a terminar, o Proust, ‘Em busca do tempo perdido’. Eu falei pro meu filho, ‘eu preciso comprar esse livro’, ele foi e me deu, então estou lendo. Eu adoro, tenho escrito em casa: ‘Ler ou não ser’. Eu acho que é fundamental.

Ap: O que é pior, a traição feminina ou a masculina? Você já foi traída?

Clarisse: Eu acredito que sim. Não sei essa palavra, ela é um pouco cortante. Existem traições e traições, eu não sei como explicar. Sempre acontece porque alguma coisa não está fluindo ou alguma energia ali falhou, alguma coisa assim. Eu acho a palavra traição um peso tão difícil, tão delicado, é uma palavra que raramente eu uso. Então se é traição, vamos usar essa palavra, porque existe desde amizade, até um relacionamento amoroso... Eu acho que existem talvez decepções, mas traição... Eu acho que quando você fala ‘eu fui traído’ você se dá uma importância... Você é um ser que ‘fui traído!’, meio que não é por aí na minha cabeça.

Ap: Clarisse, existem situações, coisas que modificam as pessoas. Eu diria, mais do que modificam, elas revelam facetas até mais verdadeiras da própria personalidade de uma pessoa. Por exemplo, viajar. Você já reparou que quando a pessoa viaja, ela se transforma? Às vezes pra melhor, ou às vezes pra pior. Uma das coisas que muda a personalidade da gente é a doença. Como você é quando é doente?

Clarisse: Olha, eu tenho um exemplo na minha casa, da minha mãe, não doente, ela é uma senhora, tem problema na coluna. Eu não me lembro de ter ouvido minha mãe dizer ‘ai’. É de uma força! É uma mulher que não sabe dizer não, você vê na carinha dela, que ela está ali, uivando de dor, você fala assim ‘me deu vontade de tomar chá’; aos trancos e barrancos, ela vai e vai fazer aquele chá pra você. Não digo que eu tenha a mesma força que ela, mas eu sou forte pra dor. Principalmente se eu tenho que trabalhar. Se eu não tenho que trabalhar, eu meio que ‘ai, ta doendo’... Se eu tenho que trabalhar não, eu sou de ferro.

Ap: Tem alguma coisa que dói mais do que a solidão? Ou a solidão não dói?

Clarisse: Dói! Muito! Eu acho. Mas a solidão a que eu me refiro, é a solidão intelectual. Essa pra mim é a mais difícil de todas elas. E hoje em dia está difícil, porque o ato de dialogar, de conversar, está sumindo do mapa esse costume. Então, ou você está na internet, ou é sempre uma coisa rápida. Você trocar idéia, olho no olho, conversar, você terminar um livro e poder discutir aquele livro, ou você sair de um ensaio, encontrar com um amigo e poder discutir a obra, e no que aquilo pode realmente chegar em você, o que eu quero, então, essa pra mim, é a pior solidão. A outra, eu posso deduzir. Que também não deve ser muito amena, não deve ser muito fácil. Mas como eu não a vivi ainda, eu não posso dizer. Mas a solidão intelectual, eu estou passando por esse momento agora. É uma coisa delicadíssima. Essa pra mim, até então, é a mais delicada.

Ap: Um mau voto gera arrependimento, você já se arrependeu?

Clarisse: Não.

Ap: Sempre votou no seu favorito?

Clarisse: Votei fiel ao que no momento eu acreditava ser a atitude correta. Sem sombra de dúvida. Nunca votei porque fui influenciada por fulano ou sicrano, sempre votei bastante ciente. Posso me arrepender ou não depois, mas no ato, votei pela minha cabeça. Sempre com esperança. Eu ando um pouco brava com essa palavra sabe, estou querendo trocar. (risos) Eu acho que com essa história de esperança nós estamos parados.

Ap: Falando em um pouco brava, você aparenta ser uma pessoa muito calma, serena. Mas todos nós temos os nossos momentos. O que te deixa fora do sério?

Clarisse: A incompetência. Isso me desespera. O Abu tem uma brincadeira, que ele chama de ‘eficiência burra’. A eficiência burra é você respeitar o seu espaço, você respeitar o seu horário. Por exemplo, se você tem ensaio, você sabe que têm que estar lá tal hora, as coisas mais simples da vida. Quando essas coisas são tão simples, me desespera. Porque eu sou insuportável com o meu trabalho. Eu sou como alemã, na rigidez... Porque é um momento onde por mais que eu esteja natural, eu tenho um compromisso. Seja ele de me expor ou não. Então tem um frisson, tem alguma coisa que muda em você. E quando você está com toda essa disposição e a eficiência burra falha, não vem a seu encontro, isso me desespera, me tira do sério.

Ap: Todo mundo diz que não tem superstição, mas bate na madeira. Você tem alguma superstição?

Clarisse: Todas! (risos) Todas as que você puder imaginar. Eu não sei nem se é superstição. Não passo em baixo da escada. Como é o ditado? “Nao creo em brujas, pero que las hay, las hay.” Então eu bato na madeira, eu faço tudo.

Ap: No teatro também?

Clarisse: Ah, por exemplo, eu tenho horror, quer dizer, existe uma coisa no teatro, não se assobia dentro de um teatro. Então, vem um encalto ali e assobia, eu fico desesperada. Não assobia pelo amor de Deus! Eu tenho o hábito de só entrar em cena, só pisar com o pé direito. Isso, eu quero até quebrar porque às vezes me desespera. E o teatro, é o resumo da vida, é o resumo do relacionamento, é o resumo das emoções, tudo que se passa no teatro você pode aplicar pra vida. Então, segue a mesma coisa, no teatro eu também tenho, mas nada de fé, sabe, é uma coisa que eu estou acostumada.

Ap: Clarisse, quando é que uma mulher e quando é que um homem estão bem vestidos?

Clarisse: Quando eles estão à vontade, felizes, bem, se sentindo bem. Conforto é uma coisa fundamental. Você se sentir bem dentro de você. Eu por exemplo, quando ponho uma roupa que é pra fazer um tipo, um modelo, eu vou errar. Bota no relógio. Dali quinze minutos eu estou errando alguma coisa. A não ser que seja um personagem claro. Eu primo pelo conforto.

Ap: Todos nós vamos ficar velhos um dia, se Deus quiser. O que você considera a pior coisa da velhice?

Clarisse: A doença. Você perder a sua agilidade. Eu acho que é o Vitor Hugo, me perdoem se não for não devia nem ter citado o nome, mas que tem um poema belíssimo que num momento ele diz ‘não tem importância que eu leve tanto tempo pra levar o copo à boca, eu já não tenho tanta sede’. Eu acho que explica bem isso. Também, quando você está mais velho, você não tem pressa. Eu vejo pelos meus pais, a maneira deles, enquanto eu estou feito um furacão, uma louca... Eles não têm pressa, eles vão, eles chegam, eles fazem. Então, o que eu acho mais triste na velhice, é a saúde, quando a saúde falta. Isso me assusta muito. Eu estava conversando com as crianças outro dia, falei ‘quero mais dez anos de vida, está de bom tamanho’. Uma amiga falou ‘estou aqui com 70 e maravilhosa!’. Não quero dizer que com 70 não estarei maravilhosa, mas acho que 70 anos pra mim está de bom tamanho.

AP: Com 70, você vai querer mais dez.

Clarisse: Eu sei lá! (risos) Mas eu não vejo nisso nenhum drama. Eu acho que se eu conseguir, que Deus me ouça. Daqui a dez anos está de bom tamanho pra ir embora.

Ap: Dizem que sem divertimentos, a mente fica burra. Quais são os seus divertimentos?

Clarisse: Ler, ver um bom espetáculo, eu adoro. Um bom filme e se eu pudesse, era viajar, viajar, viajar... (risos) Adoro viajar! Se pudesse, eu viajaria todo ano. E sempre viajei sozinha, eu com minha mala e fui pelo mundo. É a maior escola do mundo. E também um tempo que você tira pra você, quando viaja. Eu tenho esse dom. Mesmo sendo a mãe leoa que eu sou, a hora que eu entro no avião... A cabeça está ligada, eu estou ligando, mas o meu olhar, a minha curiosidade, que eu acho a melhor coisa do ser humano, quando o olho ainda é curioso. Isso eu tento preservar. A única coisa que fica complicada é que vai ficando difícil você se surpreender. Hoje em dia a natureza é o que mais me alimenta nesse sentido de me surpreender. Ver coisas lindas.

Ap: Clarisse, primeiro eu quero dizer que daqui a nove anos eu quero te trazer de novo aqui, e aí você vai confirmar se daí a um ano vai estar bom. Ou se você vai querer mais dez.

Clarisse: (risos) Aí os netos vão estar chegando, provavelmente eu não vou querer não. Talvez mais uns dez.

Ap: Quando eu tinha 18, eu achava que com 40 já ia estar velho.

Clarisse: Mas o meu não é por ser velho, é porque eu acho que já está de bom tamanho.

Ap: Mas me diz uma coisa, você acredita que há coisas que não têm perdão?

Clarisse: Existe cabeça e coração não é. Não consigo dissociar. Mas eu acho que às vezes na cabeça tem, mas no coração não, ou no coração tem, mas na cabeça não.

Ap: Há alguma coisa que alguém possa lhe fazer que não tem perdão?

Clarisse: Eu tenho a impressão que se mexerem num filho meu, eu viro uma leoa. Não faça isso. Mas ao mesmo tempo, eu acho que uma das coisas belas dessa passagem de tempo, o que eu estou descobrindo até então, é a possibilidade infinda de se tornar uma pessoa generosa. Não o lado babaca da palavra. No lado belo dessa palavra. Estou descobrindo essa palavra a cada dia. Então, esse tornar-se uma pessoa generosa eu acho que inclui essa sabedoria do perdão, da cabeça e do coração.

Ap: Depois da morte, vem o que?

Clarisse: Ah, eu acredito piamente que alguma coisa lá em cima há. Não me pergunte o que. Mas que eu acho que nossas almas vão se transformar em uma energia maravilhosa, eu acredito. Piamente. Agora, eu só vou saber daqui a 10 anos. (risos)

Ap: Qual é o outro país do mundo que você viveria se fosse deportada?

Clarisse: Eu ainda não descobri sabe, não consegui. Eu sempre penso nisso. Porque às vezes me dá uma vontade de ir embora daqui. Mas pra onde que eu vou? Eu não sei... nunca consegui descobrir isso. Cada lugar tem seu encanto, etc, mas na terra da gente a própria dor dói menos, como diz o poeta.

Ap: Você consegue guardar um segredo bem cabeludo?

Clarisse: Consigo. Inclusive porque eu esqueço. Então eu sou a melhor pessoa do mundo pra você falar ‘olha, eu vou te falar uma coisa, mas não conta pra ninguém’. Quando você acabou, já não sei mais. Eu sou boa nisso. Eu tenho um respeito muito grande por essa manifestação. Se a pessoa me confiou uma coisa, ela pode confiar com toda certeza. E também essa coisa que eu esqueço. (risos) Você sabe que eu estava falando isso, eu falei olha, eu erro meu nome. Ontem eu estava desesperada procurando o telefone, telefone mesmo, não é celular. Ele estava no meio do roupeiro. No meio das toalhas de banho. Meu filho quase me matou. Eu acho óculos na geladeira, não é força de expressão, acontece mesmo. Aí eu falei assim, eu fui boazinha comigo mesma. Eu terminei ontem um show que estava fazendo, onde eu digo entre outras coisas, 34 poemas. Eu acabei de fazer um tributo ao Vinícius de Moraes, nada, nada eu falo onze poemas. Eu tenho o espetáculo ‘As Nove partes do desejo’ que é um monólogo onde eu falo 1h15min ininterruptamente, são 47 páginas. E graças a Deus, está tudo aqui, na cabeça, muito bem armazenado. Agora, de resto, eu erro meu nome. Se perguntam meu nome, eu paro pra pensar. Porque a minha cabeça, no dia a dia, eu estou tão envolvida, é uma coisa, que o que me interessa é guardar o texto. É estudar, e sabê-lo muito bem. Mas o resto eu já erro tudo. É impressionante.

Ap: Uma velha amizade tem o direito de nos fazer sofrer? Você já sofreu por amigos?

Clarisse: Tem sim. Não sofri. Mas tem direito, porque eu acho que todos nós temos o direito de errar. Errando a gente provavelmente vai fazer alguém sofrer. Somos humanos. Mas nunca sofri. Assim, sofro se tem um amigo que está doente... Aliás, meu pai e minha mãe sempre disseram que a herança que nos deixariam são os amigos. Eu sou apaixonada pelos amigos. Dou um valor a um amigo... Movo montanhas por um amigo. O meu pai, a qualquer lugar do mundo que eu vá, a gente brinca com ele, lembra à história do Miguel, aquela ‘o papa eu não sei quem é, mas quem está do lado é o Miguel’? O meu pai é assim. Se eu falo ‘olha pai, estou indo pra Cochinchina’, ele diz ‘oh minha filha, eu tenho um amigo lá, liga pra ele, ele vai te receber’. E graças a Deus eu estou podendo dizer isso pros meus filhos. Eu tenho amigos aonde eu vou, eu deixo amigos e faço por conquistá-los. É muito bonito. É uma coisa... O Dostoievski também tem uma frase que ele diz ‘nem é o amor que é importante, mas a gentileza’ e eu acho que a amizade vem junto com isso.

Ap: Você declarou aqui que adora poesias, e textos... Você poderia recitar declamar uma poesia, um trechinho, alguma coisa que você goste?

Clarisse: Assim é horrível não é... (risos) Mas tem uma da Hilda Hilst que ela diz:

Morte minha irmã, Que se faça mais tarde a tua visita. Agora nunca. Porque o amor de Antonio, o vermelho da vida, pela primeira vez se anuncia fecundo. Diante da luz do sol o meu rosto noturno de poeta te suplica. Que te demores muito contemplando o mundo, que te detenhas ali, entre a roseira e o junco, ou talvez, para o teu conforto, assim, te estendas à sombra das paineiras, sonolenta. Morte contempla. Esquece quem por amor em tantos versos já te fez rainha. Esquece o poeta. Porque o amor de Antonio, o vermelho da vida, pela primeira vez secreto se avizinha.

É lindo não é? Na verdade, deixa eu explicar. O texto original da Hilda não é Antonio o nome. Claro que eu não vou lembrar agora. É que esse espetáculo que eu faço chamado ‘Antonio’, eu falo dos Antonios da minha vida. Eu troquei o nome por Antonio. Eu acho lindo! Ela é linda, eu adoro aquela mulher.

Ap: Estamos chegando ao final do programa, depois dessa poesia belíssima. Gostaríamos de poder ouvir mais... Temos algumas perguntinhas que encerram o programa. Podemos fazê-las?

Clarisse: Claro.

Ap: Qual foi o assunto que nós não abordamos aqui, que você gostaria de falar alguma coisa?

Clarisse: Mais profundamente de As Nove partes do desejo.

Ap: Diga?

Clarisse: Diga o que é? Essa peça é tão curiosa, no sentido de que ela é quase um documentário. São nove mulheres em cena. Sendo essas nove mulheres, nenhuma é ficção. A Heather as conheceu. É muito comovente interpretar pessoas que estão no mundo ainda. Algumas já se foram. Na própria guerra do Iraque. Eu faço uma camelô, uma beduína, uma médica, uma artista plástica, que infelizmente foi uma das que morreu. Uma criança, uma menina iraquiana; uma mãe, uma mulher americana, faço um personagem chamado Mulaia, que seria a nossa carpideira, aquelas mulheres que emocionam as pessoas com seus textos. E está faltando uma, que é uma intelectual. Então, essas nove mulheres, são de uma profundidade, de um texto de uma qualidade e de um exemplo vivo... Quando eu escolhi esse texto, eu disse que eu tive a oportunidade, a bênção de Deus em minha vida, de poder dentro do meu ofício, mostrar o meu mais veemente repúdio a todo e qualquer tipo de preconceito e guerra. Então, o espetáculo que eu faço o convite a todos vocês, não é uma comédia. Mas por favor, não tenham medo de se comover. Não tenham medo de ouvir um texto brilhante. A interpretação, eu não posso dizer (risos). Meu pai adora! Mas, é mister, é vital que assistam esse espetáculo, que eu tenho certeza... Uma das frases mais simples que eu ouvi, foi ‘o espetáculo mudou a minha vida’. Então, é isso que eu quero dizer pra vocês. As Nove partes do desejo é um espetáculo de uma beleza, de uma poesia, e mostra a força da alma feminina como eu nunca vi em nenhum outro trabalho.

Ap: Clarisse, quantas vezes você mentiu nesse programa?

Clarisse: Infelizmente nenhuma.

Ap: Infelizmente?

Clarisse: É, porque sei lá. De repente pudesse ficar mais bonitinho. (risos) Podia ter dado uma enfeitadinha...

Ap: E alguma pergunta ofendeu você?

Clarisse: Nenhuma.

Ap: Chegamos ao final do ‘Prazer em conhece-lo de hoje. A nossa proposta foi cumprida. A nossa convidada foi a atriz Clarisse Abujamra. Entre outras coisas, você ficou sabendo nesse programa, que ela não se arrependeu de nenhum voto dado em nenhuma eleição. Ficou sabendo também, que ela tem mil superstições, inclusive não gosta que se assobie no teatro. Ficou sabendo que ela guarda todos os segredos, porque os esquece. Mas ficou sabendo também, que é uma mulher forte. Não se abate na doença. E ela quer viver somente mais dez anos. Mas nós vamos pedir pro papai do céu nesse programa que a conserve conosco só mais cem! (risos) Fizemos com ela um programa de 55 minutos, foram 3300 segundos e cerca de 25 perguntas que ela respondeu como quis. Agora você conhece melhor Clarisse Abujamra, e pode dizer se realmente teve prazer em conhecê-la.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Entrevista

Gente, vou começar essa postagem fazendo um apelo, por favor comentem, eu quero saber a opinião de todos com relação ao blog, apenas duas meninas comentaram, eu quero que vocês me ajudem a fazer com que esse blog seja o melhor possivel para vocês fãs. pronto o apelo já foi feito agora é só vocês coperarem comigo.
como o título já diz, é uma entrevista que a nossa queridíssima Clarisse Abujamra fez para a TV Unaerp, da Universidade de Ribeirão Preto, um pouco antes da apresentação da Clarisse com o monólogo "As Nove Partes do Desejo".
http://tv.unaerp.br/?page=assista&idCategoria=3785&idVideo=169

domingo, 10 de agosto de 2008

Clarisse se apresentando em Lorena

A atriz se apresenta hoje no município de Lorena, São Paulo. Ela apresenta Antonio - Da Tua Tão Necessária Poesia na Casa da Cultura de Lorena que fica: Na Rua Viscondessa de Castro Lima, Nº 10, Centro, apartir das 20h, através do projeto Circuito Cultural Paulista.

sábado, 9 de agosto de 2008

Agenda - Antonio - Da Tua Tão Necessaria Poesia

Clarisse estará daqui a pouco se apresentando em Santa Bárbara D'Oeste, no Teatro Municipal Manoel Lyra, apartir das 20h através do Circuito Cultural Paulista. essa será a única apresentação no município, a entrada será gratuita. algumas palavras da Clarisse: "Dizer poesia é viver intensamente. Não concebo a vida sem o caos, a beleza, o lirismo, a tragédia e a malícia da poesia, que é para mim o lado melhor do ser humano".
Desculpem o atraso dessa postagem! Mil desculpas

terça-feira, 29 de julho de 2008

Um pouco da vida de Clarisse Abujamra

Clarisse Mattos Abujamra é atriz, bailarina e coreógrafa. Nasceu em São Paulo, em 3 de Abril de 1948.
Sobrinha do ator e diretor Antônio Abujamra, ela resistiu ao apelo das artes cênicas até a década de 70 e teve a dança como grande paixão. Aos 18 anos, foi morar em Nova York, para estudar com a coreógrafa americana Martha Graham. Na volta ao Brasil, começou a desenvolver coreografias para peças. Em uma delas, em 1970, precisou substituir a atriz principal, que abandonou o espetáculo na véspera da estréia. Como era a única que sabia todas as marcações de cena, aceitou o desafio e não parou mais de atuar. O sucesso da sobrinha é celebrado por Antônio Abujamra. “Ela é uma atriz indiscutível, que sabe ver o mundo e tem uma visão crítica raríssima”, diz, antes de defini-la como a “paixão obscena de um tio”.
Também foi no teatro que Clarisse conheceu o ex-marido Antonio Fagundes, com quem foi casada por 15 anos. Assim como a carreira de atriz, esta história começou com a elaboração de uma coreografia, em 1973. “Estava com uma amiga e, quando vi o Fagundes no palco, disse para ela: ‘Eu vou namorar esse cara’. Bom, não foi bem ‘namorar’ que eu falei”, conta, aos risos.
Casaram-se oito meses depois e tiveram três filhos: Dinah, Antônio e Diana. Sua estréia em televisão aconteceu na novela O Machão, na TV Tupi. Na TV Globo, esteve em duas novelas que marcaram época: Escrava Isaura e Anjo Mau. Participou também de teleteatros nas emissoras TV Cultura e TV Bandeirantes. Mas o maior tempo que permaneceu no vídeo foi no programa É Proibido Colar, na TV Cultura. Durante três anos, Clarisse dividiu a apresentação com Antonio Fagundes. Este programa foi um dos primeiros programas de auditório dirigido aos adolescentes e representou um marco para os que vieram depois.
O primeiro contato de Clarisse Abujamra com câmera foi em 1968 no filme As Amorosas, de Walter Hugo Khouri. Em 79, participou de Gaijin, de Tizuca Yamasaki. Mas, o seu mais importante trabalho foi no filme Anjos do Arrabalde, de Carlos Reichenback, que lhe rendeu o Prêmio Governador do Estado como a melhor atriz do ano de 1987.
Nos últimos vinte anos, têm-se dedicado mais ao teatro, mas em 1997 aceita o convite para integrar o elenco de "Os Ossos do Barão", novela do SBT e, em 1998, "Estrela de Fogo", pela TV Record.
Em 2006, Clarisse apresentou-se na peça "As Nove Partes do Desejo", em São Paulo.
Em 2007, Clarisse integrou o elenco da novela "Maria Esperança", no SBT. Em seguida transferiu-se para Band, atuando na novela "Dance, Dance, Dance” (2007/08) ·. Em 2008, aparece nas telas de cinema no filme "Chega de Saudade" e em cartaz com a peça-show "Antonio - Da Tua Tão Necessária Poesia", ao lado do pianista Ivan Abujamra. Na peça, textos de grandes poetas, como João Cabral de Melo Neto, Bertold Brecht, Fernando Pessoa e Arnaldo Antunes, são mesclados com histórias dos amores da atriz e narrados com delicadeza, humor e poesia. Clarisse, que divide o palco com Ivan, assina a direção do espetáculo, cuja primeira versão, direção e roteiro eram de Márcia Abujamra.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Clarisse dá uma entrevista falando um pouco da peça "As nove partes do desejo".

Nesse Link você fã vai poder escutar a entrevista que a atriz deu momentos antes de entrar no palco. é uma entrevista super legal em que a atriz conta como ela teve a idéia de fazer esse monólogo!
http://www.podbr.com/entrevistas/clarisse-abujamra-no-espetaculo-as-nove-partes-do-desejo-cultura/

ou

http://www.mefeedia.com/entry/1616555/

gente, por favor quem quiser ver é só copiar o link! qualquer problema comentem!

domingo, 27 de julho de 2008

Primeira postagem

primeira postagem de muitas! estou muito feliz de ter conseguido, pois essa foi a única forma que encontrei de demosntrar todo meu carinho e admiração pela Clarisse Abujamra, que é uma talentosíssima atriz e bailarina, excepcional diretora e coreógrafa, além de ser uma bela escritora!